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Parreira: "Copa de 1994 foi mais fácil que Eli
10/06/2014 17:40
Robert
copa
rlos Alberto Parreira vive nas próximas semanas a expectativa de mais uma Copa do Mundo. O treinador já comandou Brasil, África do Sul, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos em Mundiais e atualmente é o braço direito de Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira com o cargo de coordenador técnico. Em solo nacional, ele espera repetir vinte anos depois a alegria mais famosa.


Carlos Alberto Parreira é festejado pela Seleção Brasileira na final contra a Itália (Foto: AFP)

Em 1994, nos Estados Unidos, Parreira precisou superar a desconfiança da torcida e a pressão da mídia sob a equipe que montou em busca do tetracampeonato. Durante a Copa, o técnico precisou lidar com a perda de jogadores importantes, como Ricardo Rocha e Leonardo, e a necessidade de sacar Raí do time titular. Difícil?

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Foto: Reprodução
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"Olha, disputar a Copa do Mundo foi muito mais fácil do que a Eliminatória. Pela pressão que tínhamos no Brasil, a responsabilidade de classificar", conta Parreira vinte anos depois de comandar a Seleção que faturou o tão aguardado tetra. Em entrevista ao Terra, o treinador da conquista que encerrou jejum brasileiro de 24 anos sem título mundial lembra da pressão sofrida antes do torneio e do apoio recebido em solo americano.

"Os jogadores eram experientes, já tinham passado de Copa do Mundo, na faixa de 30 anos e com uma experiência de vida muito grande. A comissão técnica também era experiente. Vínhamos desde 1970 juntos, era Lídio Toledo, Zagallo, eu, Américo Faria. Soubemos segurar aquela pressão", lembra o treinador, que ainda conta detalhes da campanha e fala sobre a relação com os jogadores.

Confira a seguir a entrevista com Carlos Alberto Parreira:

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Terra - O Felipão disse que a formação do grupo da Copa do Mundo de 2014 teve como ponto chave aquele 2 a 0 contra o México, em Fortaleza, pela Copa das Confederações, pelo modo com a torcida abraçou a equipe. Naquela campanha de 1994, você também consegue eleger um momento como esse de formação do grupo campeão?
Parreira - Olha, foi praticamente no início da competição. Depois do jogo da Bolívia em que nós perdemos por 2 a 0, na altitude, houve mesmo um rebuliço muito grande. Como se perder para a Bolívia na altitude fosse algo realmente excepcional. A Argentina foi lá e tomou de 6 a 1. A altitude é realmente uma agressão muito grande. Tecnicamente a gente sabia que poderia acontecer, como realmente acabou acontecendo. Tínhamos programado quatro jogos fora, entre eles Equador, que a gente costuma perder por causa da altitude. Então começamos pelo lado pior. Depois fomos para a Venezuela e Uruguai, onde o Brasil não ganhava há quase quarenta anos. Sempre foi difícil jogo em Montevidéu. Mas tínhamos a certeza de que se ganhássemos quatro pontos, como acabou acontecendo, era tranquila a classificação. Nunca nos preocupou. Mas aquela derrota para a Bolívia foi um momento de decisão, um turning point. Ali o grupo se uniu. "Aqui a gente vai dar resposta, vamos para a Copa. Quando chegar no Brasil vamos dar a volta por cima". Foi ali que o grupo se consolidou.


Parreira: "se tem uma coisa que nos orgulhamos naquela conquista é não ter cedido às pressões externas"
Foto: Gazeta Press
Terra - E havia também bastante pressão externa naquele momento. É muito diferente trabalhar em um clima como aquele em relação ao que está agora, que está tudo mais ou menos encaminhado para a Copa?
Parreira - Ali nós tivemos que nos superar, criar uma área de proteção para não sermos envolvidos pelo que se escrevia. Crítica é uma coisa, massacre é outra. Criticar é uma coisa, querer destruir é outra. Parte da imprensa queria destruir, a gente não entendia o porquê. Vinte quatro anos que o Brasil não ganhava a Copa do Mundo e em vez de ter apoio estávamos tendo uma oposição muito grande. Muitas vezes era irreal e negativo. Por sorte os jogadores eram experientes, já tinham passado de Copa do Mundo, na faixa de 30 anos e com uma experiência de vida muito grande. A comissão técnica também era experiente. Vínhamos desde 1970 juntos, era Lídio Toledo, Zagallo, eu, Américo Faria. Soubemos segurar aquela pressão. Se tem uma coisa que nos orgulhamos naquela conquista é não ter cedido às pressões externas. Ganhamos do nosso jeito e da nossa maneira.

Terra - Qual era a importância do Zagallo? Ele era o cara que extravasava, chegava na mídia e respondia. O quanto ele ajudava até a tirar a pressão de cima de você?
Parreira - Ele era uma espécie de para-raio. O Zagallo era o nosso modelo, nosso ícone. Um cara que tinha sido campeão duas vezes como jogador, uma como campeão. Tínhamos o maior respeito e era quase um "líder espiritual". Ele não rezava e nem fazia oração. Era muito bacana tê-lo entre nós. Ele não se intrometia, entre nós era muito calmo e sossegado. Com a imprensa de vez em quando ele extravasava quando ouvia alguma sandice, já que havia perguntas das mais estúpidas possíveis. Ele internamente era uma palavra de quietude. Sempre com aquele discurso otimista, foi uma figura fundamental. No meio dos jogadores o Ricardo Rocha se contundiu no primeiro jogo e fez questão de ficar no grupo até o final. Ele era um cara superpositivo, sempre incentivando. "Vamos ganhar, somos os melhores." Foi muito importante tê-lo por lá.


Terra - Então vamos falar de outros jogadores, como o Dunga, que ficou muito marcado pelo tetra. Muita gente lembra dele como o cão de guarda do meio de campo, como aquele jogador que trazia a raça e a marcação ao time, mas ele também foi importante na armação de jogadas. Como você trabalhou com ele o posicionamento, o modo como você gostaria de vê-lo em campo?
Parreira - O Dunga foi excomungado na Copa de 1990. Eu até fazia palestra para empresas e dizia que tudo no Brasil era culpa do Dunga. O dólar subiu? Culpa do Dunga. Real desvalorizou? Culpa do Dunga. A inflação aumentou? Culpa do Dunga. As exportações caíram? Culpa do Dunga. Então ele era culpado por tudo que acontecia no Brasil. Então o deixamos de molho por algum tempo. Gostávamos dele desde as seleções de base, do comportamento e do futebol dele. Gostávamos do jogador e da pessoa. Aguardamos que a poeira baixasse e ele foi convocado. A primeira partida que ele fez foi contra o Milan (em 1992), que comemorava o tricampeonato. Tinha o trio de holandeses, Rijkaard, Gullit e Van Basten, mais Donadoni, Baresi. Convidaram a Seleção para jogar e o Raí não pôde ir porque tinha um jogo pelo São Paulo. Eu coloquei o Dunga pela primeira vez neste retorno, junto com o Mauro Silva. Ganhamos do Milan no San Siro por 1 a 0. Dali para frente o Dunga não saiu mais da Seleção. Com a saída do Raí, acabou sendo capitão e foi um belíssimo capitão. É um jogador que admiro até hoje. Gosta de futebol conhece futebol. Sabe o que é futebol, o que é liderar, e é um exemplo de profissional e de pessoa.

Terra - Como foi a saída do Raí do time titular durante a Copa? Você chegou a ter uma conversa com ele?
Parreira - Foi uma situação que um treinador não gosta, que é tirar um ídolo do time, um jogador da envergadura do Raí. Mas o Raí é um homem de caráter e de personalidade, e isso conta muito. O caráter, a personalidade. Ele é um cara do bem. Ele sabe que eu gostava dele, foi meu capitão desde o início. Houve restrições e críticas, mas eu o mantive. Ele foi para o Paris St. Germain e não estava jogando, mas dei a ele tarja de capitão. Infelizmente o comportamento técnico durante os jogos não era o que esperávamos, e as mudanças foram quase que compulsórias. Falei com ele de um modo muito transparente e ele numa boa aceitou. Não houve nenhum problema. O Raí é um homem que entende as coisas. O nível intelectual dele é muito acima da média, não houve nenhum problema.


Parreira orienta Romário em treino nos Estados Unidos
Foto: Gazeta Press
Terra - Qual foi o momento da Copa em que você sentiu mais dificuldades, o mais tenso da caminhada?
Parreira - Olha, disputar a Copa do Mundo foi muito mais fácil do que a eliminatória. Pela pressão que tínhamos no Brasil, a responsabilidade de classificar. O jogo contra o Uruguai no Maracanã valia a ida para a Copa, se perdesse não iria para a Copa. Havia toda uma pressão enorme. Nos Estados Unidos estávamos em casa. Todos torciam pelo Brasil. Não havia pressão, era só apoio. Se você olhar os jogos, foi uma Copa tranquila. Eu diria até entre aspas que foi fácil para o Brasil. A não ser no jogo contra a Holanda que ganhávamos até com facilidade por 2 a 0 e de repente o jogo mudou para 2 a 2, dois gols em que bobeamos - um de corner e outro de lateral, algo que não acontecia com aquele time. Mas a equipe tinha uma força tão grande que não se intimidou com o empate e saiu para a vitória. Nos últimos quinze minutos, fomos dentro deles, brigamos. Queríamos a vitória e conseguimos sem precisar da prorrogação. O jogo com a Suécia foi muito fácil, não deram um chute a gol. Em posse de bola deve ter sido 80% a 20%. A final tem sempre a dramaticidade. O time da Itália era muito bem treinado pelo Arrigo Sachi, tinha excelentes jogadores. Era muito bem montado e tinha tradição. Eram os dois times que mais tinham vencido Copa do Mundo, então era um jogo de xadrez. Quem mexesse uma peça errada perdia o jogo e o título de campeão mundial. Foi um jogo muito estudado e difícil. Foi evidentemente o jogo mais tenso.

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Terra - Como foi a definição dos cobradores de pênalti na final? Você escolheu quem estava batendo melhor ou foi no calor da decisão, de quem você percebeu que estava mais pronto para bater?
Parreira - Nós não treinamos na semana da competição, treinamos ao longo da competição. Para não ficar para o dia do jogo. Duas vezes por semana eu pegava o grupo, onze de um lado, e o Zagallo com onze do outro, e fomos observando quem teria condições de bater. Só que na final, na hora da cobrança dos pênaltis, dos cinco que estavam eleitos para bater, três não puderam. O Zinho tinha saído, um outro com a perna pesada que não me lembro e o Raí no banco. Então acabaram entrando outros. O Romário, por exemplo, não estava escalado, mas a gente precisava. Bati o olho nele e ele respondeu com o dedo: "pode contar comigo". Vale muito o lado técnico e o lado emocional.
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